“Agro-Agrária” regressa por iniciativa dos alunos da ESA albicastrense
Se no passado com apenas três cursos de licenciatura a Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Castelo Branco chegou a ter mais de mil alunos, hoje a realidade é bem distinta. O número de alunos diminuiu muito nos últimos anos, as necessidades formativas alteraram-se completamente mas a Escola não estagnou e adaptou-se, disponibilizando as formações mais equilibradas entre a procura dos jovens e a oferta do mercado de trabalho. Assim, ministra actualmente cursos de especialização tecnológica (CET), licenciatura e de mestrado.
Aliás, já no próximo ano entrará em funcionamento um CET em Maneio e Utilização de Cavalos e aguarda aprovação outro no domínio da Agricultura Extensiva. Para além de conferirem um grau académico de nível IV acabam por funcionar como alavanca para a captação de novos alunos para as licenciaturas, explica o director da Escola, Celestino Almeida.
Mas esta é apenas uma entre as várias estratégias da Escola para captar alunos, com a certeza de que o sector agrícola vai voltar a estar na mira do interesse das famílias, mesmo que seja mais com objectivo de autoconsumo.
É no início do mês de Maio, mais concretamente entre os dias 5 e 8, decorrerá nas instalações da Escola Superior Agrária de Castelo Branco uma iniciativa que partiu dos alunos do Curso de Ciências Agrárias – a “Agro – Agrária”. Trata-se de um certame que já foi realizado no passado e que visa reforçar a importância da agricultura na região e no país, dando a conhecer a Escola, assim como os produtos regionais, entre os quais o mel, os queijos e o vinhos, mas também outros segmentos da actividade agrícola como os adubos, fertilizantes e fitofármacos, agricultura biológica, associações agrícolas e florestais. Da exposição farão igualmente parte máquinas agrícolas, animais e materiais para vedações rega e ordenha.
Não é por acaso que o evento vai decorrer no mesmo período em que têm lugar as Festas de N. Sra. de Mércules, Romaria que acontece nas imediações da Escola e que atrai inúmeras pessoas. Assim, a organização espera a presença de muitas famílias, incluindo jovens, aos quais possa captar o interesse para mais tarde fazerem parte da sua massa estudantil.
Não sendo uma feira estritamente comercial, tem por intento mostrar aos visitantes que os produtos locais têm qualidade, mas também que a agricultura é uma actividade com valor e que agora, mais do que nunca, vai ter de crescer em termos produtivos.
Mesmo sem veia comercial a Escola criou a marca “Quinta Sra. de Mércules”
Embora não esteja entre as suas principais funções a própria Escola gera alguns produtos regionais que comercializa com a sua marca Quinta Sra. de Mércules. Falamos do azeite, do vinho e da fruta, por exemplo. São olivais, pomares, vinhas, varas, manadas e rebanhos que servem em primeiro lugar de laboratório para os alunos, ao que se soma a componente produtiva.
Na pecuária a estratégia é diferente e o director recorda que a Escola apenas cumpre o papel que lhe é devido, estudando, preservando e divulgando raças autóctones como o Merino da Beira Baixa, o Porco Preto Alentejano, o Porco Bísaro ou o cavalo de Raça Lusitana.
É de referir ainda a apicultura, actividade que nos últimos tempos deu passos de gigante na região, primeiro com a criação da Meltagus – Associação de Apicultores do Parque Natural do Tejo Internacional - fundamental para a organização do sector, e agora a nível de infra-estruturas, estando para breve a entrada em funcionamento de uma Melaria na zona industrial de Castelo Branco. Sem poder estar desligada desta dinâmica a ESACB é palco em Abril do I Congresso Ibérico de Apicultura.