Pesticidas perigosos devem ser eliminados gradualmente nos países em desenvolvimento

Publicado a 30-07-2013

O trágico incidente em Bihar, na Índia, em que 23 alunos morreram após consumirem uma merenda escolar contaminada com monocrotofos, é uma importante chamada de atenção para acelerar a retirada de pesticidas altamente perigosos do mercado nos países em desenvolvimento, alertou a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Monocrotofos é um pesticida organofosforado considerado altamente perigoso pela FAO e pela Organização Mundial da Saúde. As experiências de muitos países em desenvolvimento demostram que a distribuição e o uso destes produtos altamente tóxicos envolvem sérios riscos para a saúde humana e para o meio ambiente.

O incidente em Bihar sublinha que medidas de redução de risco como o armazenamento de agrotóxicos e o descarte seguro de embalagens vazias são tão importantes como outras mais difundidas no terreno, como o uso de máscaras de proteção e de vestuário apropriado.

Todo o ciclo de distribuição e descarte de pesticidas altamente perigosos acarreta riscos consideráveis e as medidas de proteção são difíceis de implementar em muitos países.

 um consenso entre as organizações internacionais, incluindo a FAO, a Organização Mundial da Saúde e o Banco Mundial, de que os produtos altamente perigosos não devem estar ao alcance dos pequenos agricultores, que não têm o conhecimento, nem os pulverizadores, as roupas de proteção ou as instalações de armazenamento para os gerir de forma adequada.

A FAO recomenda, por isso, que os governos dos países em desenvolvimento acelerem a retirada de pesticidas altamente perigosos dos seus mercados.

Existem alternativas que não utilizam produtos químicos e são menos tóxicas. Em muitos casos, a gestão integrada de pragas apresenta-se como uma solução eficaz e mais sustentável, que reduz o uso de pesticidas.

O Código Internacional de Conduta para a gestão de pesticidas, adotado pelos países membros da FAO, estabelece normas voluntárias para todas as entidades públicas e privadas que lidam com pesticidas. Este Código é reconhecido como a principal referência para a gestão responsável de pesticidas.

O código estipula que se deve considerar a proibição de importação, distribuição, venda e compra de pesticidas altamente perigosos se, com base na avaliação de riscos, as medidas de redução dos mesmos ou as boas práticas comerciais forem consideradas insuficientes para garantir uma utilização do produto sem riscos inaceitáveis ​​para os seres humanos e o meio ambiente.

No caso dos monocrotofos, muitos governos têm chegado à conclusão que a proibição é a única solução eficaz para preservar a saúde das pessoas e do meio ambiente. Este pesticida é proibido na Austrália, China, União Europeia, Estados Unidos e muitos países da África, Ásia e América Latina.

FAO