Afirmar a indústria transformadora agroalimentar como um setor estratégico para a economia nacional
Publicado a 05-06-2013
A FIPA – Federação das Indústrias Portuguesas Agro Alimentares realizou no passado dia dia 04 de junho, no Hotel Pestana Palace, em Lisboa a sua IV Conferência para a Competitividade. O tema deste ano foi ‘O papel da indústria agroalimentar no relançamento da economia’ e a sessão de abertura contou com a presença da Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território – Assunção Cristas -; António Saraiva – Presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal e Jorge Tomás Henriques – Presidente da FIPA.
No seu discurso, o Presidente da FIPA, Jorge Tomás Henriques, explicou o tema da Conferência com a intenção de debater o grande desafio que é afirmar a indústria transformadora agroalimentar como um setor estratégico para a economia nacional, desenhando a forma como tem vindo a contribuir para uma dinâmica integradora de uma fileira cada vez mais complexa, sendo a grande responsável pela valorização da produção primária e pela disponibilização de produtos cada vez mais inovadores ao consumidor final.
O potencial que esta indústria encerra pode traduzir-se em números bastante expressivos, nomeadamente quando analisamos o contexto macroeconómico e atentamos no volume de negócios de 14.000 milhões de euros, sendo o subsetor de bens transacionáveis que mais contribui para o VAB nacional, com cerca de 3.000M€, e que, paralelamente, tem contribuído para o equilíbrio da balança comercial, frisou ainda.
As exportações, que em 2012 apresentaram um crescimento de 6% face ao ano anterior, cresceram no primeiro trimestre de 2013 cerca de 8% face ao período homólogo de 2012, sendo que neste mesmo período o défice da balança comercial do setor caiu cerca de 12%.
Por outro lado, apresenta-se como um elo incontornável da construção da autossuficiência alimentar, pelo efeito catalisador que tem na produção primária, sendo atualmente responsável pelo escoamento de cerca de 65% dos produtos agrícolas nacionais.
Este é aliás um aspeto fundamental do trabalho integrador da fileira que a FIPA tem ajudado a promover, com o objetivo central de se ampliar o abastecimento de proximidade, tão fundamental ao aumento da previsibilidade e sustentabilidade da nossa produção industrial.
Outro destaque vai para a forma como tem contribuído para o desenvolvimento do tecido empresarial e para a criação de emprego, quando constatamos que os dados oficiais apontam para um universo de 10 mil empresas que permitem criar na economia cerca de 110 mil postos de trabalho diretos, valor que triplica para perto 500 mil quando estimados os postos de trabalho indiretos.
A Conferência objetivou ainda debater o atual contexto da indústria portuguesa agroalimentar identificando os principais desafios que terão de ser ultrapassados, mas ‘quer-se acima de tudo olhar para o futuro e debater esta indústria como uma das pedras basilares para um novo ciclo económico, apontando para isso as principais alavancas da sua competitividade’.
Jorge Tomás Henriques frisou ainda que ‘estando conscientes que o atual ciclo de consolidação orçamental tem tido um custo mais elevado do que aquele que se poderia pensar, torna-se urgente estabelecer e concretizar um conjunto de políticas que permitirão alavancar o crescimento e tornar a nossa economia mais competitiva.
Mas esta tarefa urgente só poderá ser possível num verdadeiro espírito de cooperação entre instituições, cabendo à FIPA um papel de extrema relevância na interpretação do contexto nacional e na discussão e definição das especificidades do setor que representa e da fileira onde este se insere.
As respostas concretas a este desafio não são muitas vezes fáceis de dar e muito menos de consensualizar, mas temos a obrigação de promover um debate alargado’.