Conclusões do Simpósio – Floresta 2050. Pensar o Futuro
Repensar a floresta em função da mudança: Mudança económica, social, ambiental e preceptiva
Concluiu-se no passado dia 7 de Outubro o Simpósio “Floresta 2050 – pensar o futuro”.
Este Simpósio, que teve a presença do Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Engenheiro Daniel Campelo, teve como objectivos proceder à análise prospectiva da floresta, utilizando ferramentas de diversas áreas disciplinares para perspectivar as necessidades de produção de matéria-prima florestal enquadrada numa gestão equilibrada dos recursos, do território e do património ambiental.
A floresta é um sistema complexo, quer quando assumida como floresta naturalizada, quer quando trabalhada como floresta de produção. Esta complexidade revela-se nas suas diversas dimensões, geográficas, temporais e ecológicas.
Das conclusões deste simpósio destaca-se a necessidade de repensar a floresta em função da mudança: Mudança económica, social, ambiental e preceptiva.
Destas, as alterações climáticas em curso é uma das preocupações prementes, pois alterará significativamente a área e os riscos associados à floresta. É assim necessário flexibilizar a gestão florestal de forma a adaptá-la à mudança e aos usos múltiplos da floresta do futuro.
A capacidade de prever e de combater os riscos de incêndio e as novas pragas da floresta, em parte resultantes das alterações do clima, são objectivos centrais à investigação na floresta. É essencial que em Portugal se congreguem esforços públicos e privados, devidamente articulados para atingir estes objectivos.
É necessário investir no reconhecimento e preservação da diversidade existente na floresta portuguesa. Esta diversidade deve ser entendida quer ao nível da árvore, quer ao nível das comunidades biológicas que compõe a floresta e que constituem uma riqueza ambiental única. Esta diversidade é ainda uma fonte de material útil ao sector produtivo, pois conterá os genótipos adequados à produção de matéria-prima para os mais diversos fins industriais.
A criação de conhecimento, desde os aspectos moleculares do desenvolvimento da árvore, passando pela gestão silvícola e terminando na gestão da organização territorial, devidamente integrados e aplicados, permitirão ganhos de produtividade e de sustentabilidade que continuarão a manter a floresta em Portugal como o mais relevante sistema de produção primária do país, que garante actualmente cerca de 1000 milhões de euros de exportação.
Convém por fim repensar as políticas de investigação, planeamento e de gestão florestal, associado a uma grande capacidade de comunicação da administração com os produtores florestais de forma a garantir o crescimento das riquezas produzidas pela floresta em Portugal.