Batata primor portuguesa organiza-se para triunfar no mercado europeu
Como já vem sendo hábito o Centro Operativo e Tecnológico Hortofrutícola Nacional (COTHN) levou a cabo uma jornada para balanço da campanha da batata 2010.
Reunindo produtores, técnicos e dirigentes associativos, a jornada decorreu nas instalações da empresa Horta Pronta (Atouguia da Baleia – Peniche) e discutiu aspectos produtivos e comerciais da actual campanha.
O balanço e análise da campanha esteve a cargo de Ana Paula Nunes, Coordenadora de Horticultura do COTHN que ressaltou a falta de dados oficiais fidedignos para se poderem tirar conclusões concretas sobre a cultura no nosso país. Todos os presentes na reunião concordaram que dados do INE que apontam por exemplo produtividades de nove toneladas de batata por hectare no sequeiro e 15 no regadio não podem reflectir a realidade. Manifestou-se o desejo de mais uma vez levar esta questão junto das entidades nacionais responsáveis pela publicação de dados estatísticos para que de uma vez por todas o sector da batata em Portugal possa trabalhar com dados reais.
Genericamente esses dados dizem que 2010 foi uma campanha menos produtiva e que poderão existir algumas dificuldades de escoamento. Por outro lado, será necessário fazer face aos preços praticados pela batata importada.
Falta de dados não permite análises realistas
Com os seus meios e conhecimentos próprios o COTHN tentou obter junto da produção alguns elementos que permitissem pelo menos traçar um perfil para o sector. Foram enviados inquéritos a 210 entidades que o Centro tinha conhecimento operarem com batata, com um conjunto de questões. Desse número resultaram apenas 12 inquéritos devolvidos depois de preenchidos e desses a leitura é que na batata de semente predomina a de origem holandesa. Validando as produtividades registadas, nesta campanha há uma variação entre as 25 e as 53 toneladas por hectare.
As principais afrontas sanitárias são o míldio e o epitrix e, de um modo geral, a cultura está perfeitamente mecanizada.
Consórcio de Empresas Produtoras e Exportadoras traça objectivos
Nestas jornadas que o COTHN organiza sobre o sector tem ganho impacto a ideia que Portugal tem grande potencial a nível da produção de batata primor e, depois de algumas reuniões, avançou-se para o que se chamou de Consórcio de Empresas Produtoras e Exportadoras de Batata Primor de Portugal. José Burnay, director da Campotec tomou a palavra para falar sobre o projecto, explicou à audiência que apesar da promoção da batata primor no mercado nacional ser bastante importante, o grande objectivo é a exportação. A comissão instaladora do consórcio é composta pelas empresas Horta Pronta, PrimoHorta, Agromais, Campotec e Torriba, mas a estrutura está aberta a todas as entidades, sobretudo exportadoras e capazes de cumprir as regras que estão a ser compiladas num Caderno de Especificações e que terão de ser cumpridas por todos os participantes.
De acordo com esta entidade, batata primor é a que decorre de variedades de ciclos precoces ou semi-precoces, colhida no máximo até ao final do mês de julho, não devendo ser confundida com batata nova. Está a ter muito boa aceitação na Europa e na opinião de José Burnay, Portugal também não deve perder esta oportunidade, impondo o seu produto e a sua imagem.
Horta Pronta é uma organização de produtores, fundada há quase duas décadas e que congrega mais de 280 produtores, garantindo-lhes o escoamento dos produtos (batata, cenoura, cebola, alho porro ...). Além de ter acolhido a reunião a Horta Pronta é também uma das empresas fundadoras do Consórcio de Empresas Produtoras e Exportadoras de Batata Primor de Portugal. Para Humberto Bizarro, do departamento agrícola da Horta Pronta, batata primor é um produto feito numa época diferente da outra batata, por isso mesmo diferenciado com características muito próprias entre as quais a suavidade, sabor e tenrura. Espera agora que a criação do consórcio possa uniformizar o mercado e dar mais-valia ao produto.
